quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Renascimento

<div style="width:425px" id="__ss_6439815"> <strong style="display:block;margin:12px 0 4px"><a href="http://www.slideshare.net/RainhaMaga/o-renascimento-e-a-formao-da-mentalidade-moderna-6439815" title="O renascimento e a formação da mentalidade moderna" target="_blank">O renascimento e a formação da mentalidade moderna</a></strong> <iframe src="http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/6439815" width="425" height="355" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe> <div style="padding:5px 0 12px"> View more <a href="http://www.slideshare.net/" target="_blank">presentations</a> from <a href="http://www.slideshare.net/RainhaMaga" target="_blank">Rainha Maga</a> </div> </div>

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Conhecendo as Pizzas!!!

Conhecendo as Pizzas!!!

Ao contrário do conhecimento popular, apesar de tipicamente italiana, os babilônios,hebreus e egípcios já misturavam o trigo e a água para assar em fornos rústicos há mais de 5000 anos.
A novidade foi parar à península da Etrúria, em Itália. Era o alimento dos pobres do Sul de Itália. Mas foram os napolitanos que passaram a acrescentar molho de tomate e orégaos à massa, que era dobrada ao meio e devorada como se fosse uma sanduíche. Quem tinha um pouco mais de dinheiro punha também queijo, pedaços de linguiça ou ovos por cima.
A partir do século XVI, a novidade era apreciada na corte de Nápoles e logo se espalhou pelo mundo fazendo surgir a primeira pizzaria que se tem notícia, a Port'Alba, ponto de encontro de artistas famosos da época, tais como Alexandre Dumas.
As pizzas podem ter uma centena de coberturas. A primeira redonda foi criada por Raffaele Sposito, em 1889, para ser servida à rainha Margherita, de Itália, foi enfeitada com as cores da bandeira italiana: queijo (branco), manjericão (verde) e tomate (vermelho).

Caça a Baleia Piloto!

A caça é feita de uma forma bruta e dolorosa. As baleias,  exaustas, confusas e aterrorizadas, são orientadas, pelos caçadores, a irem para a parte mais rasa, onde começa o banho de sangue. Habitantes da ilha martelam-nas com 2,2 kg de metal, repetidamente, varias vezes, até que a baia com manchas de sangue seja preenchida com horríveis e mutiladas baleias mortas.
Todo esse momento é tido como entretenimento para os habitantes, que se comportam como se pulassem carnaval. As crianças são ensinadas desde pequenas. Existe um dia, no calendário escolar, no qual são levadas para assistir esse espetáculo do horror, onde se divertem e brincam entre as baleias mutiladas, depositadas na areia.
São abatidas cerca de 2000 baleias por ano, sendo que não necessitam de carne de baleia para subsistência. Nessa festa sangrenta muita carne é perdida, não havendo como exportar uma vez que está contaminada com toxinas e/de metais pesados, fugindo da norma da UE para a saúde e alimentação humana.
O costume foi abandonado a algum tempo em outros estados europeus, e hoje é proibido. Embora as Ilhas Faroé façam parte da Dinamarca, possuem suas próprias leis e governos, que regem a caça as baleias piloto, ou “grind”, como é conhecido lá.
Existe hoje, na internet, um site que tem uma petição contra essa caça desnecessária as baleias
Não a muito que podemos fazer para ajudar esses pobres animais que são mortos todos os anos por esporte, apenas sabemos que a criatura que faz isso se encaixa na pior classe de ser humano que existe, aquela onde estão todos os outro que se acham importantes o suficiente para destruir o planeta e tudo que existe de bom nele, sem ao menos parar pra pensar que ele é o “convidado” aqui, uma vez que a humanidade é um bebe comparada ao planeta. Talvez seja a hora dessas pessoas repensarem seus costumes locais… Podemos ajudar entrando no site, citado a cima, e assinar a petição. Precisamos de 10000 assinaturas e ainda estamos longe desse numero.
Ajude quem morre sem ter direito a defesa!

Os 20 Piores Aparelhos de Tortura de Todos os Tempos

Os 20 piores aparelhos de tortura de todos os tempos
Sapatos da punição
Esses sapatos eram usados juntamente com um aparelho de tortura no qual prendiam os pés e as mão proximos ao corpo. Quanto tempo você conseguiria ficar nas pontas dos pés, até descansar o corpo nos calcanhares?
Se você tiver coragem, pode ver os outros aparelhos de tortura,

Garfo dos Hereges
As quatro afiadas pontas do garfo dos hereges possibilitam apenas uma pequena abertura da boca, para o herege sussurrar uma confissão.

Mergulhando em fezes
Usado no inicio com mulheres (como quase todos os aparelhos de tortura com tendencias sexuais) esse aparelho mergulhava a pessoa em um rio, até quando o torturador achasse necessário.

As botas
As pernas da vitima eram colocados entre madeiras e depois eram amarradas com cordas. Entre os filetes de madeira, haviam pequenas estacas. O torturador martelava a madeira, fazendo com que as estacas perfurassem a perna até chegar aos ossos da canela. Ao retirarem as madeiras, podiam ver pedaços de ossos e pele cairem junto com a madeira. Ao sair, as pernas do torturado serviam apenas para balançarem para lá e para cá.
Tortura da Agua
Esse é a unica tortura não-medieval da nossa lista. Foi utilizado bastante pelos japoneses na 2ª guerra mundial. Eles enchiam a boca do torturado de panos velhos, depois amarravam a boca dele com arame farpado. Após, colocaram um tubo pelo nariz até chegar no estomago e o encheram com agua. Apos completo o enchimento, eles pulavam em sua barriga até faze-lo se afogar com a propria agua, ou estourar tudo por dentro.
Pata de gata
Essa tortura era utilizado apenas para rasgar a carne da vitima. As vezes, rasga-la de fora a fora, até os ossos..
O rack
Isso é exatamente o que parece. A mesa puxa o torturado de uma ponta a outra, até desmembrar vagarosamente o corpo da vitima.
Esquartejado por cavalos
É bem parecido com "O Rack" mas é um nivel a mais. Os quatro membros do torturado são puxados simultaneamente por 4 cavalos, a fim de arrancar cada membro de uma só vez. Esse metodo era utilizado apenas aqueles que tentavam matar nobres ou alguem da realeza. Um publico enorme em volta era classico.
A Pêra
Ela é bastante simples e nem tão fatal. Ele é penetrado no ânus ou na vagina do torturado e em seguida rodam a ponta, fazendo ela se abrir e ficando uma posição extremamente desconfortavel.
Limpeza de alma
Em muitos paises catolicos, o clero acreditava que podia limpar a alma do maldito condenado, se ele bebesse agua fervendo (escaldante, pra ser mais especifico), carvão em brasas ou os dois. Eles eram aplicados antes dos condenado ser punido pelo crime.
O enforcamento gaiola
A figura é de um camarada de sorte. Isso mesmo, normalmente, nesse tipo de tortura, o condenado era amarrado nu, para sofrer com o extremo frio ou calor. Mas eles não eram só amarrados ali, depois disso eles ainda tinham outros tipos de tortura enquanto estavam pendurados. Mas morriam de sede ou de tanto sangrar, que no caso, poderia levar semanas.

O Triturador de cabeças
Se tem um aparelho no qual se pode saber o que é pelo nome, é esse. As garras vão afundando no cranio do torturado, amassando seu cerebro, fazendo com que ele vaze pelas orelhas. O mais incrivel é que ele é utilizado hoje em dia ainda (numa maneira mais "sutil") como aparelho de interrogatorio.
Queimando na estaca
Esse metodo de tortura era bastante comum para as acusadas de bruxaria. O clero acreditava que queimando o corpo da bruxo, extinguiria de vez a alma dela do plano fisico, não influenciando novas almas inocentes a virarem bruxas. Faz sentido.

Berço de Judas

A vitima era içada pela cabeça pelo toturador e descida lentamente até a piramide. Dependendo do humor do torturador, ele podia vez o quanto de força soltava em cima da piramide.

O Berço

Acredito que essa seja uma prima distante do Berço de Judas. A imagem pode explicar exatamente o que esse aparelho faz.

Donzela de Ferro
Essa é a foto da primeira donzela de ferro utilizada. Ela possui estacas de ferro no interior. O primeiro a utilizar foi um falsificador de moedas, o qual teve a porta fechada vagarosamente, fazendo as estacas penetrarem em seu corpo. Elas penetraram nos olhos, braços, pernas, barriga, peito, nadegas… Mas não o suficiente para matar o sujeito, o qual ficou sentido dores por eternos 2 dias até morrer.

Cadeira da Interrogação

Não eram apenas centenas de espetos de ferro extremamente desconfortaveis para sentar. Eles faziam questão de toca fogo embaixo da cadeira para esquentar de tal forma de ficar escaldante os espetos.
Empalamento
Esse foi um metodo de tortura comum na idade media para traidores. Acredite ou não, após se enfiado do anus à boca ou garganta, o torturado pode viver por até um dia nesse estado.

A Serra

A serra pode representar o ápice da mente negra do ser-humano. Ao ser virado de cabeça para baixo, o sangue desce todo para o cérebro, oxigenando-o. Fazendo isso, o torturado não desmaia enquanto é serrado, como acontece normalmente com uma dor muito forte, ele só vai morrer mesmo, quando a serra chegar no umbigo ou ate mesmo no diafragma.

Quebrando com a roda

Esse metodo só não era mais utilizado que a forca, na idade média na Alemanha. Eles amarravam os membros do torturado no chão e colocavam a roda nas juntas, como joelhos e cotovelos. Então, rodavam a roda até tornar as juntas uma gelatina de ossos, carne e sangue. Mas esse não era o fim do pesadelo. Após isso, eles penduravam o corpo do condenado na vertical, até ser devorado por corvos e insetos ou morrer.
******* Ajuda dos Leitores ********
*
MR indicou Mesa de Esventramento
"A vítima é deitada numa superfície de madeira e logo acima do umbigo fica uma estrutura de manivela com espinhos(tipo aquelas de levantar um balde d`agua num poço).
Era feito uma incisão no estomago da vítima, e um pedaço de seu intestino era retirado e prendido na manivela. O torturador ia lentamente girando e arrancando o intestino da vítima"
*
Thiago indicou A Roda (outra)
"Também era uma roda, o condenado era colocado em volta dela e embaixo dela tinha uma "talba" haha com pregos ai giravam a roda e ai o maluco brilhava muitz no curinthians. Nessa imagem, acho que inovaram e colocaram algo quente ou fogueira embaixo, o que lembro tinha pregos, enfim, mata do mesmo jeito hahaha"

ISABEL DE PORTUGAL - Imperatriz Perfeitíssima

ISABEL DE PORTUGAL
Imperatriz Perfeitíssima


Texto de Maria Luísa V. de Paiva Boléo

A versão inicial deste texto foi publicada na revista Máxima nº 190. A presente versão, revista e actualizada pela autora, foi inserida no portal sem fins lucrativos O Leme em 12 de Abril de 2006. 


Isabel é nome de rainha. Houve várias na Europa, mas nenhuma outra Isabel, nascida em Portugal e casada com um rei estrangeiro, foi mais amada, mais respeitada e mais chorada que a mulher do imperador Carlos V, no século XVI.


             Filha do rei D. Manuel I e da rainha D. Maria, sua segunda mulher, Isabel nasceu em Lisboa, no dia 25 de Outubro de 1503. Imperatriz perfeitíssima lhe chamaram mais tarde os cronistas espanhóis. Numa Europa repleta de grandes convulsões politicas, religiosas e sociais, ela soube ser a mulher e a colaboradora do poderoso Carlos V. A sua beleza não foi um mito - basta olhá-la, serena e majestosa, pintada por Ticiano.
             As primeiras negociações sobre o enlace entre D. Isabel e o imperador Carlos V (hoje as revistas diriam "o casamento do século"!) começaram no Outono de 1522, entre D. João III, seu irmão, e a corte espanhola. Ficaram acordados dois casamentos, o de D. João III com Catarina, irmã de Carlos e o de Isabel de Portugal com o imperador. O rei português casou primeiro e os trâmites para o casamento de Isabel demoraram mais uns tempos. Nestas coisas de casamentos, não há nada como uma "fada madrinha", e a recém- rainha de Portugal escreveu ao irmão a falar-lhe das muitas virtudes e beleza de Isabel, sua cunhada. Na Primavera de 1525, veio a Portugal o embaixador espanhol para tratar dos dois esponsais, tendo as primeiras negociações sido firmadas em 17 de Outubro de 1525.Almeinim foi o local escolhido. E aqui foi também celebrada a cerimónia do casamento, por procuração, em 23 de Outubro de 1525. Presidiu à cerimónia o bispo de Lamego, D. Fernando de Vasconcelos.
             A partir daquele dia, Isabel de Portugal era já imperatriz. Houve festas e bailes e foi representada, pela primeira vez, a comédia Dom Duardos, de Gil Vicente. O dote da imperatriz foi de 900 mil dobras de ouro castelhanas, o que era uma enorme fortuna. Em Janeiro de 1526, começaram os preparativos da partida da imperatriz Isabel de Portugal para Espanha.
             Com 22 anos, D Isabel parte rumo a Badajoz com uma grande comitiva. A comodidade da época não ia além de uma liteira, sendo o destino Sevilha. De Toledo, onde Carlos V tinha a corte, veio "um luzido acompanhamento", para fazer as honras à futura imperatriz. Carlos V mandou três emissários da mais alta honorabilidade. D. Isabel chegou a Elvas no dia 6 de Janeiro, acompanhada dos irmãos, D Luís e D. Fernando. Ao chegarem à fronteira, deram-lhe por montada uma linda "faca" branca, termo que significa cavalo pequeno, leve e magro, para maior comodidade na viagem.
             Entrou em Espanha no dia 7. A cerimónia de troca de séquito ocorreu na fronteira, perto do rio Caia. A lindíssima D. Isabel, serena e sem mostrar o mínimo cansaço, ouviu o irmão Luís dizer as palavras do protocolo ao duque de Calábria: "Senhor, entrego a Vossa Alteza a imperatriz minha Senhora, em nome do rei de Portugal, meu senhor e irmão, como esposa que é da cesárea majestade do imperador." No final, em vez do protocolar beija-mão, D. Isabel quis abraçar os seus irmãos.
             A viagem demorou dois meses. No dia 10 ou 11 de Março de 1526, realizou -se o casamento com os noivos lado a lado, e a cidade de Sevilha engalanou as ruas e viveu dias de grande alegria. Quem esteve presente nas bodas dos imperadores observou os recém-casados e comentou: "(...) Entre os noivos há muito contentamento, pelo menos é o que parece (...), e quando estão juntos, embora esteja muita gente presente não reparam em mais ninguém, ambos falam e riem, e nunca outra coisa os distrai". Como alguém disse, Carlos e Isabel casaram sem se conhecer e amaram-se depois de se conhecerem.
             Os noivos imperiais ficaram uns dias em Sevilha mas, para fugir ao calor, seguiram para Córdova, com destino a Granada, onde chegaram nos primeiros dias de Junho. Ficaram no Palácio do Alhambra, onde era notória a influência árabe. Os mouros de Granada ofereceram, como prenda de casamento a Carlos e Isabel, 80 mil ducados.
             Carlos, atencioso e meigo, deu a Isabel, por divisa, "as três graças, tendo uma delas uma rosa, símbolo da sua formosura, um ramo de murta como símbolo do amor e a terceira uma coroa de carvalho simbolizando a fecundidade". D. Isabel, além de ter um rosto de um perfeito oval, "olhos de garça", cabelos longos e loiros, com uma figura "esbelta e harmoniosa", terá percebido na lua-de-mel que a sorte a bafejara. Os noivos ficaram no Palácio do Alhambra, mas as comitivas eram tão numerosas que os familiares do lado de D. Isabel ficaram hospedados em São Jerónimo, magnífico edifício renascentista. Depois da passagem de Carlos V por Granada (onde nunca estivera), o Palácio do Alhambra sofreu beneficiações. Nestes dias de felicidade, Carlos ofereceu um cravo a Isabel, flor que na altura não era muito vulgar. E diz-se que foi por este gesto que um dos símbolos da Andaluzia e de Espanha é o "clavel".


             Em Dezembro, os imperadores partiram para Valladolid, onde chegaram no início do ano seguinte. Aqui, a imperatriz deu à luz, no dia 21 de Maio de 1527, o herdeiro do trono - Filipe (depois rei Filipe II de Espanha, Filipe I de Portugal). Sabe-se que o parto foi difícil e Isabel de Portugal sofreu muito. Como rainha, quis mostrar-se corajosa quando as dores eram quase insuportáveis. Num momento de maior sofrimento, estampado no rosto, a parteira pediu-lhe que gritasse, porque ajudava a descontrair-se, mas a imperatriz respondeu em português: "Não me faleis tal, minha comadre, que eu morrerei, mas não gritarei."
             Isabel de Portugal tinha residência própria, independente da do marido, onde viviam quarenta damas e açafatas e mais de setenta jovens, rapazes e raparigas, alguns filhos do pessoal que lidava de perto com D. Isabel. Além da morada do imperador, havia as casas dos infantes e infantas (quando já tinham idade para serem independentes), e ainda o palácio da rainha Joana, mãe de Carlos, que vivia em Tordesilhas.
             Foram contemporâneos de Carlos V e de Isabel de Portugal, umas vezes inimigos e outras vezes aliados, Francisco I de França, Henrique VIII de Inglaterra - que na sua sucessão de esposas contou também com uma tia de Carlos V - Catarina de Aragão e o poderosíssimo Soleimão, o Magnífico, senhor do império otomano no seu período de apogeu.
             Enquanto Carlos V estava em guerra ou a negociar tratados de paz com países ou regiões da Europa, Isabel tinha as responsabilidades de regente. O seu cargo era, como ficou escrito, "lugarteniente dcl reino de Castilla". Foi regente entre 1529 e 1532 centre 1535 e 1539. Nessa qualidade, viajou bastante. Para amenizar as saudades e para tratar de assuntos importantes do império, Carlos e Isabel escreviam-se com regularidade. Por vezes, o imperador não escrevia durante meses, a ponto de preocupar a imperatriz, que numa carta lhe "ralhou", dizendo que ao menos lhe escrevesse "todos os vinte dias".
             Devido ao clima demasiado quente de Toledo e de Sevilha, a imperatriz Isabel passava os Verões em Ávila, por ser mais ameno, pois sofreu diversas vezes de paludismo. Viajava no Outono, com regularidade, entre Toledo, Valladolid, Sevilha, Barcelona e Maiorca. Quando tinha notícia de que o marido ia regressar, mandava preparar uma recepção, com grande comitiva, mas durante o tempo em que estava sozinha com os filhos, as damas e conselheiros da corte, Isabel de Portugal fazia uma vida muito ascética.
             Em 1529, nasceu a filha Maria e, mais uma vez, foi um parto doloroso e complicado. Durante os 16 anos de casamento, Carlos não procurou outra mulher, mesmo nos períodos de ausência de casa. Isabel de Portugal foi novamente mãe, em 1535. Esta filha, Joana, viria a casar com o príncipe João Manuel, filho de D. João III de Portugal e de D. Catarina. Ficou viúva e à espera de um filho, que viria a ser o malogrado rei D. Sebastião, morto em Alcácer-Quibir. 

             Quando Isabel de Portugal morreu de pós-parto, em 1539, o imperador estava ausente em Madrid e ficou muitíssimo amargurado. Refugiou-se no Mosteiro de Sisla, vestido de negro, cor que usou até ao fim dos seus dias. Rezava. E frequentemente os seus vassalos lhe viram lágrimas nos olhos. Temeu-se pela sua saúde, tal era o seu sofrimento pela ausência de Isabel. Para ter perto de si a imagem daquela que ele tanto amara, encomendou um retrato a Ticiano. Era costume fazerem-se as máscaras mortuárias dos falecidos ilustres e terá sido a partir dessa máscara de cera com as feições da imperatriz que Ticiano concebeu o retrato. Quando o imperador o viu, não o achou perfeito e quis que o mestre pintor retocasse o nariz de Isabel. E assim fez Ticiano. Aliás, pintou dois quadros quase iguais. Um desapareceu, anos mais tarde, num incêndio. Resta apenas aquele que acompanhou Carlos V quando se retirou para o Mosteiro deYuste, em 1556, e que esteve na grande exposição de Toledo, de Outubro de 2000 a Janeiro de 2001.
             A vida de Francisco de Borja está indissoluvelmente marcada pela de Isabel de Portugal, porque este fidalgo viria a protagonizar uma história verídica, devido à morte da imperatriz.
             Francisco de Borja serviu na corte de Carlos V, onde conheceu a sua futura mulher, dama que foi no séquito de Isabel de Portugal. Deste casamento, nasceram li filhos, tendo sobrevivido oito. Em Maio de 1539, quando morreu Isabel de Portugal, o imperador pediu-lhe que tratasse das exéquias. A imperatriz morreu em Toledo, mas foi a enterrar em Granada. Acompanhou-a também o filho Filipe, que estivera sempre muito próximo da mãe. Entre a morte e o dia "da tumulação", mediaram 16 dias. O calor era tal que, quando Francisco de Borja viu, ao abrirem a tampa do caixão, a face daquela que fora a mulher mais bela do seu tempo, completamente irreconhecível, ficou tão impressionado que terá dato que, a partir daquela data, não mais ser viria nenhum senhor na Terra. Iria dedicar-se, de alma e coração ao serviço de Deus. Ficou viúvo em 1546 e entrou para a Companhia de Jesus, tendo feito votos solenes em Fevereiro de 1548. Foi ordenado sacerdote em 1551 e viria a ser impulsionador da cristianização das colónias espanholas e do Brasil. Foi canonizado em Abril de 1671.
             Isabel de Portugal, por desejo do filho Filipe, seria trasladada, em 1574, para o Mosteiro do Escorial,
             Depois da morte de Isabel, Carlos V passou mais tempo isolado. Deixou pouco a pouco os negócios políticos e abdicou, em 1556, a favor do seu filho Filipe, que subiu ao trono como Filipe II de Espanha, enquanto que o seu irmão Fernando lhe sucedeu como imperador da Alemanha.
             Nos seus tempos de juventude, Carlos teve uma filha, fruto dos amores por uma flamenga, Margarida Van der Gheist. Esta filha casará com um Médicis e depois, já viúva, com o duque de Parma. Já viúvo de Isabel de Portugal, aos quarenta e cinco anos, o imperador Carlos V teve uma relação amorosa com uma jovem, que lhe deu um filho - , João de Áustria. No recolhimento de Yuste, Carlos V não se afastou completamente da vida política, mas levou uma vida simples. Olhando para o retrato de Isabel, terá então recordado os anos de felicidade com a imperatriz perfeitíssima.
             Carlos V da Alemanha, Carlos I de Espanha morreu a 21 de Setembro de 1558. Isabel e Carlos estiveram algum tempo separados, também na morte. Mas depois passaram a repousar lado a lado, no Mosteiro de São Lourenço do Escorial, panteão dos monarcas espanhóis, mandado construir por Filipe II. 

A autora agradece a Maria do Carmo Holbeche Beirão Cortez a sua colaboração.

Fontes:

Manuel Rios Mazcarelle, Dicionario de los Reys de Espanha, 1996.

Carlos Fisas, Historias de las Reinas de Espacia - la Casa de Áustria, 18ª edição, Madrid, Planeta, 1997.

Manuel Fernadez Álvarez, Carlos V el rey de los Encomenderos Americanos, Madrid, Anaya, 1988.

Joseph Pérez, Carlos V, Ediciones Temas de Hoy, 1999.

Francisco Câncio, Portugal Histórico e Monumental, 1934, vol. 2.

RECORDAR O TERRAMOTO DE 1755




O presente Texto, revisto pela autora em 10-01-2005, é parte integrante do seu livro
CASA HAVANEZA - 140 anos à esquina do Chiado.


(...) O terramoto teve início às 9 horas e 40 minutos do Dia de Todos os Santos, 1 de Novembro de 1755. A terra tremeu três vezes, num total de 17 minutos, e, durante vinte e quatro horas, a terra não deixou de estremecer.




             O sismo teve o epicentro no mar, a oeste do estreito de Gibraltar, atingiu o grau 8,6 na escala de Richter e o abalo mais forte durou sete intermináveis minutos. Por ser Sábado, acorreram mais pessoas às preces. As igrejas tinham os devotos mais madrugadores. Só na igreja da Trindade estavam 400 pessoas. Se os abalos tivessem começado mais tarde, teria havido mais vítimas, pois os aristocratas e burgueses iam à missa das 11 horas. Depois dos abalos, começaram as derrocadas. O Tejo recuou e depois as ondas alterosas tudo destruíram a montante do Terreiro do Paço e não só. Era o fim do mundo!
             Os incêndios lavraram por grande parte da cidade durante intermináveis dias. Foram dias de terror. As igrejas do Chiado e os conventos ficaram destruídas. A capital do império viu-se em ruínas, já para não falar de outras zonas do país, como o Algarve, muitíssimo atingida pelo sismo e maremotos subsequentes. Do Convento do Carmo, construído ao longo de mais de trinta anos e terminado, provavelmente, em 1422, com o empenho e verbas do Condestável Nuno Álvares Pereira, sobrou um amontoado de ruínas. A comunidade italiana que mandara construir a Igreja do Loreto viu cair o sino da torre, e, de seguida, o incêndio tudo consumiu. Ficaram os escombros. Quanto às igrejas da Trindade e do Sacramento desapareceram. «O Sacramento, das 17 freguesias que sobre a ruína do abalo sofreram o estrago do incêndio, foi das mais destroçadas nessas horas funestas.» Não foi poupado o antigo Convento do Espírito Santo, que haveria de transformar-se nos Armazéns do Chiado e Grandela. As ruínas do Convento do Espírito Santo foram depois compradas por um argentário, conhecido por Manuel dos Contos, mais tarde barão de Barcelinhos e depois visconde. A filha única casou com o 2º visconde de Ouguela, que foi proprietário do edifício até ao dia em que o vendeu para ser transformado nos hotéis Europa, Gibraltar, Universal, (tão falado em “Os Maias” de Eça de Queiroz) e Hotel dos Embaixadores, que já não existem. Sofreram um grande incêndio, em Setembro de 1880. Em 1894, os Armazéns do Chiado adquiriram a parte central. Outro incêndio, o de Agosto de 1988 destruiu por completo aquele espaço. Os mais cépticos não acreditaram que o Chiado renascesse, mas ficou provado que ele tem "artes mágicas" para reviver e atrair a si tudo e todos.
             Na voragem do terramoto de 1755 desapareceram cinquenta e cinco palácios, mais de cinquenta conventos, a Biblioteca Real, vastíssima em livros e manuscritos e as livrarias (como sinónimo de bibliotecas) dos conventos de S. Francisco, Trindade e Boa Hora. As chamas reduziram a cinzas milhares de livros em cinco casas de mercadores de livros franceses, espanhóis e italianos, e em vinte e cinco – contadas por Frei Cláudio da Conceição – lojas e casas de livreiros. Salvou-se o precioso arquivo da Torre dos Tombo, devido aos cuidados do seu guarda-mor Manuel da Maia. Um jovem inglês de apelido Chase, que presenciou tudo, escreveu numa carta á família: «Porque o povo possuído da ideia de que era o Dia do Juízo, e querendo-se antes empregar em obras pias, tinha-se sobrecarregado de crucifixos e santos, e tanto os homens como as mulheres, durante os intervalos dos tremores, entoavam ladainhas ou atormentavam cruelmente os moribundos com cerimónias religiosas e, cada vez que a terra tremia, todos de joelhos bradavam misericórdia, com a voz mais angustiosa que imaginar se possa.» Balanço da tragédia: entre 12 a 15 mil vítimas mortais, numa população de 260 mil e mais de 10 mil edifícios destruídos. Voltaire, em Genebra, escreve impressionado Poème sur le désastre de Lisbonne.(1)


Nova burguesia e novo Chiado


             Cuidaram então alguns sacerdotes que a tragédia era a reacção de Deus ao absentismo das pessoas que andavam arredadas da Santa Madre Igreja. Não se tratava, portanto, de um fenómeno natural, provocado por uma qualquer falha geológica; era antes a demonstração do que podia acontecer – e aconteceu – a quem não ia à missa. A seguir à tragédia, não houve, apenas, que «enterrar os mortos e cuidar dos vivos». Foi muito complicado e moroso todo o trabalho de identificação de quem eram os verdadeiros proprietários das agora ruínas, antes casas, estabelecimentos ou palácios, porque a maior parte das pessoas não possuía registo de propriedade. O marquês de Pombal foi impiedoso com os salteadores que foram imediatamente enforcados, no local onde eram apanhados a pilhar. Erguia-se o cadafalso e era imediata a execução, para exemplo. Com o correr dos anos, bastante lentamente, as barracas improvisadas deram origem a casas sólidas já preparadas para aguentar futuras oscilações e para evitar focos de doenças. Acabava-se com os becos e charcos de águas estagnadas, alargam-se as ruas e uma rede de esgotos tornava a capital numa cidade já não medieval mas moderna. O ministro do rei D. José, Sebastião José de Carvalho e Melo, chamou o engenheiro do Reino Manuel da Maia, que formou equipa com os engenheiros militares Carlos Mardel, Elias Pope e Eugénio dos Santos e que, sem demora nem descanso, meteram mãos à obra da reconstrução de Lisboa. O rei D. José morreu em 1777. Em 1798 começou a esboçar-se o traçado de uma estrada Lisboa-Porto.

(1) Não há unanimidade quanto ao número de mortos. Entre 20.000 e 100.000. Parece que o número mais aproximado terá sido de 60.000.

BEATRIX POTTER - Animais Com Alma

BEATRIX POTTER

Texto de Maria Luísa V. de Paiva Boléo

A versão inicial deste texto foi publicada na revista Notícias Magazine de 27 de Março de 2005. A presente versão, revista e actualizada pela autora, foi inserida no portal sem fins lucrativos O Lemeem 21 de Março de 2006.

   


Os seus animais são verdadeiros, têm personalidade e alma própria. São coelhos, gatos, patos, raposas, retratados sem paternalismos nem pieguices, criados pela mulher que os tornou protagonistas dos seus livros, a escritora e artista Beatrix Potter, nascida muito antes de Harry Potter ter ocupado a cabeça dos nossos miúdos. Uma mulher que gostava muito mais da natureza do que propriamente de crianças...

COELHOS COM ALMA

Olá, bom-dia, como tens passado?" A Pata Patrícia, no seu andar bamboleante, voltando atrás, respondeu: "Bem, muito obrigada. E tu?" Beatrix Potter deu voz aos seus desenhos inseridos nas histórias por ela inventadas nos cenários que copiava directamente da natureza, da literatura e das vitrinas que podia observar nas visitas assíduas ao Museu de História Natural, bem perto da casa dos pais, em Londres.

Convém desde já dizer que Beatrix Potter não é nem prima, nem tia, nem mesmo bisavó de Harry Potter. Beatrix e Harry têm em comum o apelido, o facto de terem ambos nascido no Reino Unido e serem fenómenos de popularidade entre a juventude. Há, porém, um pormenor importante que os distingue à partida: Harry é um jovem de ficção saído da pena da escritora J. K. Rowling e Beatrix Potter existiu mesmo.

OS DESENHOS DO VERÃO


             Helen Beatrix Potter nasceu no dia 28 de Julho de 1866 em Londres, em Kensington Square, numa família da alta burguesia ligada ao comércio de algodão. Como a mãe também se chamava Helen, a menina passou a ser apenas Beatrix para toda a gente da casa que, naquele tempo em que reinava em Inglaterra a rainha Vitória, tinha muitos criados, uma governanta, jardineiros, cocheiros, etc. Beatrix era uma menina de olhos bem abertos e, desde pequena, começou a observar tudo e todos que a rodeavam, principalmente insectos e animais domésticos que via todos os Verões, quando a família ia passar as férias no campo, ora na Escócia ora em diversas propriedades de Lake District, na Grã-Bretanha. Ai Beatrix podia percorrer livremente os campos verdejantes e ver bem de perto toda aquela imensa paisagem a perder de vista. De tudo o que via e tocava, gostava mais dos coelhinhos, mas as galinhas, os gatos, os patos e mesmo as borboletas, as abelhas ou as libelinhas também a fascinavam, a ponto de ter começado a desenhar, provavelmente antes de saber ler e escrever.
             Quando tinha seis anos, Beatrix ficou muito contente por a mãe lhe ter dado um irmão para quem fez desenhos e com quem brincava.
             Os ingleses guardam religiosamente no Victoria & Albert Museum, em Londres, os mais antigos desenhos de Beatrix Potter, esboçados quando contava apenas nove anos. A pequena Potter desenhava tudo o que via e os seus cadernos têm principalmente esboços e estudos de animais domésticos (onde incluía ouriços e rãs) que ela e o irmão Bertram escondiam em casa. Nas fotografias de Beatrix a que temos acesso, vemo-la acompanhada ora de um dos seus cães, ora com o seu coelhinho predilecto, Peter, que para não saltitar para longe tinha de andar com uma trela.

A PRIMEIRA HISTÓRIA


             A família Potter tinha uma vida social agitada, O pai de Beatrix era apaixonado por fotografia, numa época em que esta ainda era uma novidade, e a mãe era também uma grande apreciadora de pintura. Porém Beatrix foi uma menina solitária, porque praticamente não convivia com ninguém da sua idade. Quando os pais se deram conta de que a filha dedicava tanto tempo ao desenho, proporcionaram-lhe aulas de pintura. Chegou o dia de Bertran ir estudar para um colégio interno e Beatrix ficou de novo só. Refugiou-se na escrita de cartas às suas amigas e amigos, onde se contava o filho dos caseiros da quinta dos pais. Noel Moore tinha cinco anos e por ter apanhado uma febre grave passou muitos meses de cama e as cartas de Beatrix eram a sua melhor distracção. A primeira carta data de 4 de Setembro de 1893 e começava assim:
             "Meu querido Noel, não sei muito bem o que te hei-de escrever, por isso vou contar-te a história de quatro coelhinhos que se chamavam Flopsy, Mopsy, Cottontail e Peter" e seguiam-se os desenhos e o texto. Assim começava uma das histórias preferidas de muitas e muitas crianças do mundo inteiro. Beatrix acabava de criar Peter Rabbit, que anos mais tarde daria origem ao seu primeiro livro.
             No tempo em que Beatrix era pequena, as meninas de famílias abas-tadas eram educadas em casa e quase exclusivamente encaminhadas para o casamento, para terem filhos e serem donas de casa. Mas Beatrix Potter não iria ter esse destino predefinido, porque o seu talento lhe abriu outros horizontes e lhe proporcionou uma vida diferente. Assim, logo que pôde, foi viver para o campo, rodeada de animais domésticos, sobre os quais escrevia histórias e a quem ia pondo nomes. Além de Peter Rabbit, havia Jemima Puddleduck, Jeremy Fisher, Benjamin Bunny, Tom Kitten ou Pigling Bland. Beatrix apanhava-os e coleccionava-os para depois os desenhar com toda a minúcia e paciência. E sabe-se que levava secretamente para o quarto ou para a sala onde tinha aulas, lagartixas, ouriços e uma infinidade de bichinhos mais estranhos, mas que eram para ela mais um modelo para os seus desenhos.

REGISTOS DE BOTÂNICA


             Assim ia crescendo esta menina cheia de talento e imaginação. Mantinha-se em casa dos pais, sem mostrar qualquer inclinação para o casamento. Um tio mais atento, sir Henry Roscoe, notável químico, decidiu mostrar os desenhos da sobrinha, na área da Botânica. Foram pedir a opinião a uma pessoa muito entendida - o director do Royal Botanic Gardens, isto é, o responsável pelos Jardins Botânicos da Casa Real, que acabou por dizer que os desenhos de Beatrix Potter eram de uma amadora e não mostrou qualquer interesse em apoiar uma publicação. Quem diria que, passados anos, os seus desenhos, de tão perfeitos, serviriam para ensinar às crianças a flora e a fauna. Hoje é indiscutível que Beatrix Potter foi uma admirável aguarelista e uma refinada desenhadora de temas da área da Botânica. 
             Beatrix Potter viveu entre os séculos XIX e XX e, o novo século trouxe grandes mudanças à sociedade, principalmente às meninas da burguesia e nobreza, porque as mulheres sem privilégios já há muito que trabalhavam de sol a sol nos campos ou em trabalhos pesados nas fábricas das grandes cidades. Em 1882, foi dado um passo importante na legislação inglesa com uma lei que permitia às mulheres casadas administrar os seus bens. Em 1928, depois de décadas de lutas, as inglesas conseguiram o direito de votar e, em 1930, Beatrix Potter foi a primeira mulher eleita presidente da Associação dos Criadores de Carneiros de Herdwick.
             Aos vinte e quatro anos, Beatrix Potter, com o apoio entusiasta do seu amigo Canon Hardwicke Rawnsley, desenhou seis cartões de Boas Festas e mandou-os para uma editora alemã. Com alguma surpresa recebeu a agradável notícia de que a editora não só lhos comprava por um preço muito bom, como lhe encomendava mais.

Aos 24 anos, Beatrix Potter desenhou seis cartões de Boas Festas e mandou-os para uma editora alemã, que não só lhos comprou como ainda encomendou mais. Hoje servem para ensinar botânica aos miúdos.


O SUCESSO DE PETER RABBIT


             Em 1900, Beatrix acabou de escrever um livro para crianças, mas, como é costume acontecer na vida de grandes escritores, as seis editoras a quem enviou o seu manuscrito recusaram-no impiedosamente. Mas a futura escritora estava determinada e como tinha o seu mealheiro bem cheio, decidiu editar ela própria o seu primeiro livro infantil, onde cada página tinha de um lado o texto e do outro uma ilustração.
             Em Dezembro de 1901, apareceram no mercado 250 exemplares do livrinho com o título A História de Peter Rabbit. O sucesso foi considerável e passados três meses Beatrix já mandara fazer mais 250. Em 1902, havia cópias pirateadas nos EUA. Adivinhava-se o enorme sucesso.
             Beatrix Potter tinha então 36 anos e propôs, ao editor que lhe escrevera a carta menos agressiva a dizer não, a publicação a cores, visto que a edição dela era apenas a preto e branco. O editor aceitou com muito agrado.
             Depois deste sucesso modesto, a vida de Beatrix tomou novo rumo. Em nove anos escreveu e ilustrou mais de vinte livros. Aparentemente desinteressada pelo casamento, a verdade é que se suspeita que tencionava casar com o seu grande amigo Norman Warne, o mais novo dos três filhos do seu editor, mas uma doença súbita vitimou-o. A tímida burguesa que era Beatrix acreditou que tinha morrido com ele a esperança de uma vida sentimental... Apesar de desolada com o desgosto, as libras que ganhara com o seu trabalho, e sem a aprovação dos pais, decidiu comprar Hill Top, uma pequena quinta a cerca de duzentos quilómetros a Norte de Londres e, para dar um sentido aos campos, também lá colocou um rebanho de carneiros. Em 1909, adquiriu mais uma propriedade, Castle Farm, ao lado da que já possuía, e foi então que conheceu o notário que lhe iria fazer a escritura, William Heelis, que não só tratou do negócio como impressionou bem a "miss" Potter. Casaram em 1913, quando a escritora tinha já quarenta e sete anos. Os pais não gostaram de ver a filha sair de casa para casar com um notário de província, mas nada a demoveu. Afinal, fazer um casamento feliz e viver no campo sempre fora o seu sonho. Ainda para mais, o marido era igualmente um defensor da preservação da natureza, consciente dos efeitos negativos do avanço da indústria, pelo que não admira que com tanto em comum tenham sido um casal harmonioso.

Beatrlx Potter adorava o campo e os seus desenhos eram inspirados em animais reais, nos ratinhos, esquilos e patas (a célebre Jemina Pudleduck) que viviam na sua quinta.


A RATA MIGALHA E A PATA PATRÍCIA


             Beatrix não teve filhos, mas os seus livros fizeram felizes muitos milhões de crian-ças e essa felicidade acompanhou-a até ao dia 22 de Dezembro de 1943, quando o seu coração parou - o marido sobreviveu-lhe ape-nas dois anos.
             Beatrix Potter morreu há mais de sessenta anos, mas as suas histórias e desenhos tornaram-se obrigatórias e como-vem-nos, como comoveram os nossos pais e avós. E o segredo estará algures no facto de Beatrix Potter não ter afogado os seus "heróis" em mundos de fantasia, dando-lhes uma vida de ser humano. Por exemplo, a Senhora Rata Migalha "tinha uma casa muito engraçada cheia de metros e metros de corredores com o chão de areia", porque é debaixo da terra que os ratinhos vivem, como é nas árvores que vivem os esquilos e assim por diante. E a Pata Jemina (Pata Patrícia, na versão portuguesa), baseada numa história verdadeira, foi quem chocou os ovos de uma galinha, e assim os pintainhos andavam atrás dela... E todos eles se vestem a rigor e com gosto.
             Em 1980 foi criada a Beatríx Potter Society com fins filantrópicos. Os números da indústria que Beatrix Potter gerou são astronómicos e há uma infinidade de produtos com a sua marca. Depois dos livros surgiram os brinquedos, objectos de higiene e escolares, roupa para bebés e crianças, objectos de cerâmica, relógios, mobiliário e um nunca-mais-acabar de coisas bonitas, de que os EUA se tornaram fortes consumidores. São milhões os livros vendidos antes e depois da sua morte, e traduzidos em mais de trinta línguas, entre elas o português. Mas por cá os livros estão hoje praticamente esgotados. Talvez a editora se anime a fazer nova edição, porque as nossas crianças merecem crescer com o talento de Beatrix Potter e não apenas com imagens da televisão.Um livro na mão tem outra sabor e apaixona quem lhe toca. E quantas crianças não dormiram com Peter Rabbit debaixo da almofada.

A história da Pata Patrícia e da Senhora Rata Migalha, assim como os outros dez livros desta colecção foram editados em português pela Verbo, mas já há uns anos estão esgotados. O que é uma pena.


VÁ AO MUNDO DE BEATRIX POTTER


             Parte do espólio de Beatrix Potter foi adquirida, em 1973, pelo Victoria & Albert Museum. Há ainda outro local que lhe é dedicado no National Trust, que é uma organização não governamental de enorme importância no Reino Unido, cujos objectivos são manter intocáveis a beleza das quintas, paisagens e casas antigas. Tem milhões de sócios e o governo em nada pode interferir. Ao National Trust legou Beatrix Potter quatro mil hectares de terra, quinze quintas e numerosos locais de enorme beleza. Durante trinta anos, Beatrix e o marido viveram e cultivaram as suas terras em Lake District. Beatrix criou mesmo uma raça de carneiros salvando-a da extinção e foi premiada por isso.
             Nas próximas férias, porque é que não leva os seus filhos à quinta de Hill Top que está integrada no National Trust, no Reino Unido. Lá estará Peter Rabbit a recebê-los!

A escritora e o marido eram empenhados defensores da protecção da natureza contra os avanços de um mundo industrial que não respeitava nada nem ninguém.